terça-feira, outubro 07, 2008

Um referendo para cada casamento

Quem é que se pode casar?

Abel: Quem é que se pode casar?


Bernardo: Quem é que se pode casar? Ora essa... Toda a gente se pode casar, sem distinção de raça, credo ou estatuto social. Nós somos a favor das liberdades e das grandes conquistas civilizacionais!!


Abel: O João e o Pedro podem casar? A Inês e a Maria podem casar?


Bernardo: Como assim?


Abel: O João pode casar com o Pedro, ou a Inês pode casar com a Maria?


Bernardo: Oh! Brincalhão! Claro que não, o casamento é só entre homem e mulher....


Abel: Porquê?


Bernardo: Porquê?! Ora.. porque sempre foi assim...


Abel: Antes de haver o divórcio também todo o casamento era perpétuo...


Bernardo: Pois, mas... mas só um homem e uma mulher podem criar uma família.... e uma família é a base da nossa sociedade.


Abel: Mas e os casais que optam por não ter filhos ou em que um dos cônjuges é estéril... Não podem eles casar?? Não podem eles fundar uma família??


Bernardo: Sim.. claro que podem. Ninguém tem culpa de ser estéril.


Abel: Então e alguém tem "culpa" de ser homossexual? De se sentir atraído pelo mesmo sexo? De querer partilhar a vida com alguém do mesmo sexo?


Bernardo: Pois.. não se trata de culpa. É que... a sociedade não está preparada... é preciso que a sociedade discuta... que se habitue à ideia.


Abel: Se não foi preciso erradicar o racismo para consagrar a plenitude da igualdade independentemente da origem étnica por que é então preciso erradicar a homofobia antes de se consagrar a plena igualdade no acesso ao casamento? Não têm os deputados a responsabilidade de definir a liberdade de todos? Não são eles os guardiões da pluralidade das gentes, os representantes de todos os cidadãos? Porque é que muitos que foram os actores principais das lutas pela liberdade de outrora se assumem agora como os conservadores da tradição? Porque é que noções elementares de igualdade são agora descartadas como assuntos efémeros, causas menores ou a vertigem de uma geração que anda ao sabor da moda? Porque é que as vidas de milhares de cidadãos e cidadãs são discutidas como se de um fait divers se tratasse? Porque é que os partidos não adoptam uma posição de princípio e preferem antes uma posição táctica de olhos postos nas próximas eleições legislativas?


Bernardo: ...


Então e quando é achas que a crise dos mercados financeiros vai chegar a Portugal?