segunda-feira, novembro 17, 2008

Plágio hagiográfico


Hoje é dia de Santa Isabel de Hungria (segundo um calendário que tenho no Google Calendar). Por mera curiosidade fui ver por que era Santa esta senhora.

Não só esta senhora era rainha (por isso, Rainha Santa Isabel da Hungria), como era tia-avó da Rainha Santa Isabel de Portugal (a santidade parece ter sido corrente entre as mulheres desta família).

Mas as semelhanças não acabam aqui, pois a ambas são atribuídos um milagre das Rosas. Será este um caso prematuro de franchising?

domingo, outubro 19, 2008

terça-feira, outubro 07, 2008

Um referendo para cada casamento

Quem é que se pode casar?

Abel: Quem é que se pode casar?


Bernardo: Quem é que se pode casar? Ora essa... Toda a gente se pode casar, sem distinção de raça, credo ou estatuto social. Nós somos a favor das liberdades e das grandes conquistas civilizacionais!!


Abel: O João e o Pedro podem casar? A Inês e a Maria podem casar?


Bernardo: Como assim?


Abel: O João pode casar com o Pedro, ou a Inês pode casar com a Maria?


Bernardo: Oh! Brincalhão! Claro que não, o casamento é só entre homem e mulher....


Abel: Porquê?


Bernardo: Porquê?! Ora.. porque sempre foi assim...


Abel: Antes de haver o divórcio também todo o casamento era perpétuo...


Bernardo: Pois, mas... mas só um homem e uma mulher podem criar uma família.... e uma família é a base da nossa sociedade.


Abel: Mas e os casais que optam por não ter filhos ou em que um dos cônjuges é estéril... Não podem eles casar?? Não podem eles fundar uma família??


Bernardo: Sim.. claro que podem. Ninguém tem culpa de ser estéril.


Abel: Então e alguém tem "culpa" de ser homossexual? De se sentir atraído pelo mesmo sexo? De querer partilhar a vida com alguém do mesmo sexo?


Bernardo: Pois.. não se trata de culpa. É que... a sociedade não está preparada... é preciso que a sociedade discuta... que se habitue à ideia.


Abel: Se não foi preciso erradicar o racismo para consagrar a plenitude da igualdade independentemente da origem étnica por que é então preciso erradicar a homofobia antes de se consagrar a plena igualdade no acesso ao casamento? Não têm os deputados a responsabilidade de definir a liberdade de todos? Não são eles os guardiões da pluralidade das gentes, os representantes de todos os cidadãos? Porque é que muitos que foram os actores principais das lutas pela liberdade de outrora se assumem agora como os conservadores da tradição? Porque é que noções elementares de igualdade são agora descartadas como assuntos efémeros, causas menores ou a vertigem de uma geração que anda ao sabor da moda? Porque é que as vidas de milhares de cidadãos e cidadãs são discutidas como se de um fait divers se tratasse? Porque é que os partidos não adoptam uma posição de princípio e preferem antes uma posição táctica de olhos postos nas próximas eleições legislativas?


Bernardo: ...


Então e quando é achas que a crise dos mercados financeiros vai chegar a Portugal?





sexta-feira, setembro 05, 2008

domingo, agosto 17, 2008

Silly Season Post (I)

Digital beautification descrita here.

sexta-feira, junho 13, 2008

Como em anos anteriores, chegou já a altura de declarar a Silly Season de 2008 aberta!

sábado, maio 31, 2008

Acordo Ortográfico (II)


Embora haja interrelações entre uma língua e a sua forma escrita (a ortografia) são, ainda assim, entidades distintas. A língua é um instinto humano de dimensão cultural que não pode ser legislado nem por governos nem por gramáticos. A ortografia é uma convenção e há até línguas diferentes que partilham a mesma ortografia.

É claro para todos que o português do Brasil, de Portugal e dos outros países lusófonos está a divergir, sendo disso testemunho os diferentes usos do vocabulário e variações gramaticais que, de resto, ocorrem frequentemente dentro de uma mesma comunidade linguística, incluindo falantes da mesma nacionalidade. Por isso, parece-me, que as motivações do acordo ortográfico não são objectivos de uniformização cultural mas antes uma estratégia política.

Uma ortografia unificada irá permitir a adopção do português como língua de trabalho em instâncias internacionais, o que até agora era impedido pelo facto de persistirem ortografias distintas em dois grandes blocos de países, e adoptar uma ortografia preterindo a outra levantaria problemas políticos. O acordo é, assim, um instrumento de valorização da língua ao nível internacional.

Resta acrescentar que Portugal foi o primeiro a quebrar a uniformidade da ortografia portuguesa com a reforma de 1911 não tendo sequer tentado um acordo com o Brasil. Desde essa altura que se procura re-aproximar as ortografias praticadas dos dois lados do atlântico. Um século de tentativas marcadas por alguma prepotência de Portugal que está agora em condições de se redimir. Assim, o acordo introduz alterações na ortografia agora praticada tanto em Portugal como no Brasil, estando a gerar naturais contestações nos dois países. Não se trata de por os portugueses a escrever como os brasileiros, mas sim de identificar os pontos comuns e de adoptar um conjunto de regras coerente que sirva as duas comunidades linguísticas.

Podemos, claro está, insistir na política do orgulhosamente sós e na lógica de que somos os proprietários da língua portuguesa insistindo na grande longevidade da nossa cara ortografia que tem, afinal, apenas algumas décadas. Ou podemos dar ao mundo uma lição de universalismo rejeitando o sentimento de antiga potencia colonial e dando mais um passo na criação de uma verdadeira comunidade lusófona ao nível global.

Acordo Ortográfico (I)


Eu acho muito estranho que se queira defender a ortografia do português como um património cultural essencial à identidade nacional e querer colocar a questão do Acordo Ortográfico a este nível de dramatismo.

A ortografia do português foi revista inúmeras vezes ao longo da história do país e quatro vezes só no século XX. A primeira revisão com força legal operada em 1911 foi muito mais radical daquela que é instituída pelo Acordo que está em discussão, e esteve também rodeada de polémica. Mas hoje em dia as pessoas estão preparadas a defender com unhas e dentes os resultados da reforma de 1911 que foi considerada por algumas personalidades na época como um atentado à língua portuguesa, e que nos daria cadáveres mutilados em vez de palavras.

Embora se possa discutir a utilidade do Acordo, e talvez o argumento da uniformização pela uniformização não seja absolutamente convincente, o facto é que muitas petições e intervenções avulsas que se podem ler por toda a internet exageram as consequências do Acordo produzindo verdadeiros panfletos anti-acordo de conteúdo completamente falso.

Numa destas petições online pode ler-se a sugestão de que a palavra Pacto passará a escrever-se Pato, ou de que Hora passará a grafar-se Ora. O que é absurdo e completamente falso. Frequentemente esquecem-se também que na Ortografia oficial passa a admitir-se dupla grafia nas palavras cujo "c" e "p" antes de consoante são pronunciadas nas pronúncias cultas. Assim Facto continuará como ortografia admissível para esta palavra a par de Fato. Do mesmo modo, Recepção e Cacto, apesar do "p" e do "c" destas palavras não ser pronunciado em Portugal, é-o no Brasil e, consequentemente, vão manter-se também estas formas como grafia admissível.

Outra estratégia utilizada pelos opositores do Acordo é referir a introdução de mudanças que na realidade não mudam nada em Portugal, como é o caso da supressão dos acentos em "idéia", "assembléia", etc, que já não se grafam assim na ortografia de Portugal, e que por coerência e economia se estende a palavras como "jóia". etc..

Em todo o caso, houve quase 10 anos para discutir este acordo. O seu segundo protocolo modificativo foi já ratificado pelo parlamento português e uma vez assinado pelo Presidente da República entra em vigor. Fazer petições neste momento é extemporâneo.

Mais, o constante pedido de referendo a propósito do Acordo ortográfico é inconstitucional, uma vez que em Portugal é inconstitucional submeter a referendo tratados internacionais (com uma excepção introduzida há apenas alguns anos para os tratados que digam respeito ao aprofundamento da União Europeia).

sábado, abril 26, 2008

Sub(estimado)


No início do meu oitavo ano de escolaridade a directora de turma decidiu perverter as regras para a eleição do delegado e sub-delegado. O delegado, como habitualmente, foi eleito pelos pares, mas o sub-delegado, contrariamente ao que é habitual, seria escolhido dentre uma série de candidatos que teriam de fazer um discurso justificando as razões pelas quais consideravam ser adequados para o cargo.

Não tenho presente por que processo eu me vi entre os potenciais candidatos mas recordo que no meu discurso proferi a seguinte frase:

Sinto que muitas vezes no passado fui subestimado pelos meus colegas e acredito que esta é uma oportunidade para demonstrar o meu valor.


Esta declaração, que manifestamente sobrevalorizava o cargo de sub-delegado que nunca foi nada para além de um cargo meramente figurativo, demonstra bem por que é que nunca poderia ser eleito pelas vias democráticas. Fui efectivamente escolhido para o cargo pela directora de turma que apreciou a eloquência do meu discurso tendo em conta a minha tenra idade. Mas este discurso valeu-me também uma alcunha (a de "subestimado") que sobreviveria até ao fim do meu décimo segundo ano. Passados poucos anos a alcunha sofreu uma elipse e passou de "subestimado" a "sub" e as composições variáveis das turmas que frequentei, não tendo sido testemunhas desse momento fundador, acreditavam que "sub" teria origem no facto de ser sub-delegado, cargo que exerci várias vezes ao longo do meu percurso na escola secundária.

Fica, aqui, reposta a verdade dos factos.

sexta-feira, abril 25, 2008

Orthographia


Orthographia. Derivase do Grego Orthos, Recto, & Grapho, Escrevo, & assim Orthographia vem a ser, Arte de escrever as vozes, com as letras convenientes à sua origem, & recta pronunciaçaõ, que o uso tem introduzido. Temos quatro Autores de Orthographia da lingua Portugueza, ou para dizer melhor, quatro Orthographias, porque todas quatro são diversas, a do Licenciado Duarte Nunes de Leão, impressa anno de 1576, a de Alvaro Ferreyra de Vera, anno de 1631, & as de Joaõ Franco Barreto, & do P. Bento Pereyra mais modernas. Com Orthographia differente destas quatro escreve muytas dicções o P. Man. Fernandes no seu livro intitulado, Alma Instruida, & c. Desta maneyra, em Portugal, para o modo de escrever não ha moda, nem regra certa; quasi todos escrevem como querem; & com a continuaçaõ desta diversidade, só cada hum poderá entender a sua escritura.

Conformase a Orthographia com o uso, & por isso se mudou muytas vezes (Quintiliano)


in Vocabulario Portuguez e Latino, 1712

domingo, fevereiro 24, 2008

Frozen Grand Central

Uma pedra no charco da monotonia do quotidiano.

sábado, fevereiro 23, 2008

Incompetência III

No Expresso:

A Universidade de New Castle, em Inglaterra, anunciou que é cientificamente possível criar espermatozóides a partir de células-tronco da medula óssea de mulheres. Já o Instituto brasileiro Butantan conseguiu criar óvulos a partir de células-tronco de ratos machos.


Células-tronco?!?! Para os jornalistas do Expresso, stem-cells são células-tronco?? Fazemos agora tradução de artigos de outros jornais com o Google Translate, ou quê?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Comemorar 10 anos de União Económica e Monetária!

Votação para escolher o desenho do verso da moeda comemorativa dos 10 anos da união económica, a ser emitida pelos estados-membros em 2009.

Comemorar 10 anos de União Económica e Monetária!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Techdirt: The Grand Unified Theory On The Economics Of Free

So there you have it. After many months, one single summary of the economics of "free" and how it can be used to anyone's advantage. It's not about defending unauthorized downloads. It's not even about getting rid of copyright -- just recognizing that copyright holders can actually be better off ignoring their own copyrights. It's very much about showing the key trends that are impacting all infinite goods -- and pointing out a clear path to benefiting from it (while making life more difficult on those who refuse to give up their old business models). And we're giving it to you all... for free. So, enjoy.

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segunda-feira, janeiro 28, 2008

sábado, janeiro 26, 2008

Techdirt: Smartphones Patented... Just About Everyone Sued 1 Minute After Patent Issued

This past Tuesday, the US Patent and Trademark Office issued a patent on "a mobile entertainment and communication device." Reading the patent, you realize it describes the quite common smartphone. It's a patent for a mobile phone with removable storage, an internet connection, a camera and the ability to download audio or video files. The patent holding firm who has the rights to this patent wasted no time at all. At 12:01am Tuesday morning, it filed three separate lawsuits against just about everyone you can think of, including Apple, Nokia, RIM, Sprint, AT&T, HP, Motorola, Helio, HTC, Sony Ericsson, UTStarcomm, Samsung and a bunch of others. Amusingly, the company actually first filed the lawsuits on Monday, but realized it was jumping the gun and pulled them, only to refile just past the stroke of midnight.

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

Os misteriosos hábitos dos elefantes

2 éléphants 1 trompe via Koreus

Telefonema para o INEM e bombeiros - Sapo Vídeos

Esta gente está toda bêbeda ou está toda estúpida!

Ms. Dewey


O novo assistente da microsoft para as pesquisas na internet é uma rapariga com um estranho sentido de humor.



Ms. Dewey

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Podcast

Para aqueles que gostam de me ler, pode ser que gostem também de me ouvir, num registo mais descontraído.

Podem subscrever o podcast no iTunes clicando no link aqui em baixo à esquerda ou indo directamente a: http://feeds.feedburner.com/LifeOfNuno

sábado, janeiro 19, 2008

Incompetência III

No Sol:

PCP usa agendamento protestativo para forçar audição urgente de Correia de Campos no Parlamento


A figura regimental de "agendamento protestativo", não existindo, teve de ser inventada.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Leitura interessante: Um bem jurídico simbólico. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo


"Foi-nos solicitado parecer sobre um problema jurídico de formulação extremamente simples:

São constitucionalmente válidas as disposições legais, designadamente do Código Civil português, que restringem o casamento a pessoas de sexo diferente?

Pretende-se uma apreciação de direito positivo objectivamente fundamentada.

Como se sabe, esta questão tão simples é objecto de discussão muito acesa em diversos países, não só pela profundidade dos temas jurídicos que toca, mas também, e sobretudo, pela intensidade das representações sociais e das posições ideológicas que se lhe associam.

Este parecer centra-se num dos aspectos jurídicos em discussão, o «valor simbólico» do casamento. Cremos, na verdade, que é esse o fulcro do problema, e que a sua consideração é suficiente para considerar inconstitucional a referida restrição.

O parecer é dado pro bono."

Pedro Múrias


Ler na íntegra

domingo, janeiro 06, 2008

Incompetência II

No Correio da Manhã:

Os registos dão conta da existência de cerca de 8800 milhões de veículos mas a circular estima-se que haja cerca de seis milhões. Serão assim quase três milhões as matrículas das quais ninguém deu baixa.


Como é que disse?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Incompetência






Desde que a designada Lei do Tabaco entrou em vigor os hábitos diários de muitos portugueses mudaram radicalmente e o ar de centros comerciais, bares e restaurantes tornou-se indiscutivelmente mais respirável.

Para os mais distraídos a lei prevê que os estabelecimentos comerciais coloquem dísticos de modelo oficial indicando os locais onde se pode ou não se pode fumar.

As galerias do Saldanha Residence colocaram sinalefas gigantes, uma em cada pilar do centro comercial, com um dístico de modelo próprio acompanhado de uma lenga-lenga sobre as vantagens de deixar de fumar e a seguinte menção:

PROÍBIDO FUMAR
Decreto-Lei n 37/2007


Ignorando o erro ortográfico, o que realmente me espanta é que a gerência do centro tenha decidido que a proibição de fumar decorre do decreto-lei que cria a Agência Nacional de Compras Públicas e aprova os respectivos estatutos.